Quando escrevemos, queremos transmitir uma mensagem que seja devidamente assimilada pelo nosso leitor. Para que isso realmente aconteça, precisamos nos atentar para as particularidades do contexto e, principalmente, do receptor.

Há circunstâncias em que as coisas precisam ser ditas “na lata”: sim, não, certo, errado, à esquerda, à direita, preto, branco e assim por diante. Entretanto, algumas vezes, a situação pode ser profunda demais para ser anunciada de forma tão clara quanto o dia.

Por exemplo, há diversas formas de se declarar o amor, a mais comum talvez seja “eu te amo”. Contudo, o uso indiscriminado de tal declaração pode descaracterizar seu significado original até o ponto de não mais cativar a pessoa amada. Eis aqui um bom exemplo da necessidade da comunicação sutil.

Uma pequena dose de seriedade ao falar com quem amamos, visando guardar o seu bem-estar, em alguns casos, pode ser um modo mais eficaz e sutil de se declarar amor – mais do que a doçura de um eu-te-amo, apenas para tentar encerrar uma discussão desconfortável.

A comunicação sutil se alimenta dos pormenores

Geralmente, a sutileza se encontra nos pormenores da comunicação e pode ser trabalhada de diversas formas. É uma espécie de jogo inteligente em que se testa a percepção e a perspicácia alheia em relação a situações e fatos diversos. Comunicar-se com sutileza é insinuar sem apontar; é mostrar setas, não o caminho.

comunicação fluida

A sutilidade independe dos princípios morais e da ética

Com sutileza se pode zombar, humilhar, ajudar, seduzir, doar e subtrair. Ser sutil é comunicar-se com perspicácia, visando tornar a mensagem principal menos acessível, envolvendo o interlocutor num jogo de escárnio ou de sedução.

Poderíamos dizer que a comunicação sutil é um jogo que, de maneira dissimulada, semeia paz ou guerra, amor ou ódio, empatia ou provocação. Quando detectado, o interlocutor fica instigado e, com isso, nele se despertam a curiosidade, a competição, a astúcia, a malícia; ou a generosidade, a confiança, a persuasão. Diversos fatores começam a trabalhar num segundo plano da comunicação.

mensagem menos acessívelEssa comunicação sutil abrange não somente a escrita, mas também a fala e os gestos. Qualquer movimento pode conter uma mensagem valiosa. Entretanto, essa conexão pode ser perdida facilmente, se o emissor operar num grau muito acima ou muito abaixo do nível de seu receptor. A comunicação sutil só se mantém enquanto há uma troca de estímulos.

O marketing também é um bom exemplo de comunicação sutil. A mensagem principal é “compre”. Mas, se isso ficar muito claro para o consumidor, ele não será persuadido a realizar a compra. Seria como querer ganhar o primeiro beijo de alguém sem qualquer esforço, sem o toque da sedução.

Para que serve a sutileza?

Captar a atenção do interlocutor pode ser uma boa primeira resposta. Mas, para que essa atenção se mantenha, a experiência do jogo deve valer a pena. É preciso criar, suficientemente, curiosidades para o curioso, razões para o racional, profundidade para quem é sagaz e assim por diante.

A sutileza pode ter, como fim, a mesquinhez ou a generosidade. Seu combustível é o mel ou a pimenta, que devem ser combinados cuidadosamente, de acordo com o objetivo almejado.

Um único crime pode ser visto sob óticas completamente distintas. No espaço do contraditório, galanteiam-se a defesa e a acusação com calorosos argumentos técnicos, aspirando atrair os passos do juiz à cercania de seu ângulo privado e fazê-lo vislumbrar o fato com o seu olhar, lado a lado.

Como já dissemos, a sutileza esconde a mensagem principal estrategicamente, até que se cumpra seu sutil objetivo, ou seja, até que o receptor fique persuadido a acatar a sua intenção: seja percebendo o valor do produto (e não o preço), ou acreditando que alguém é inocente ou culpado.

Não importa a linguagem – pode ser familiar, poética, humorística, acadêmica, filosófica – o que se pretende é levar o interlocutor a determinado ponto apenas fazendo insinuações, hipnotizando-o com as artimanhas, mas sempre respeitando as regras do jogo.

A importância da revisão dos textos sutis

Cuidado! Não permita que a sutileza se converta numa mensagem truncada. Comunique-se sempre respeitando o nível intelectual de seu interlocutor. Como disse o grande linguista Ataliba de Castilho, “erro, erro mesmo é quando você fala e o outro não compreende”.

comunicação truncadaNão é necessário usar uma linguagem rebuscada, nem orações misteriosas para se comunicar com sutileza. Muitas vezes, um iletrado homem do campo consegue ser mais sutil ao se comunicar do que muitos doutores.

Revisar textos sutis demanda experiência. No quesito sutileza, muitos revisores foram reprovados no processo para montar a nossa equipe de revisores profissionais. Como sempre dizemos, revisar não é apenas cuidar tecnicamente da gramática, é ter um olhar sensível e atento a cada detalhe e sutileza daquilo que é o mais importante: a mensagem do escritor.

A sutileza está associada diretamente ao estilo do emissor, da mesma forma que cada voz tem um timbre particular. Revisores inexperientes, quando não percebem a matiz de uma sutileza, logo sugerem a reescrita do trecho, distorcendo, assim, o espírito original da mensagem. Então, repetindo, a sutileza não pode soar como um mistério. Ela deve sobressaltar como algo entrevisto, inesperado – seja para encantar ou para atacar.

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