Perito Walber PinheiroComo oferecemos o serviço de Degravação (transcrição de áudio para fins forenses), talvez nossos clientes e leitores se interessem por esta quentíssima entrevista sobre o tema perícia audiovisual.

Quem gentilmente nos concedeu esta entrevista foi o M.Sc. José Walber Borges Pinheiro (foto), Bacharel em Ciências da Computação pela Universidade Federal de Goiás; Especialista em Docência Universitária; Mestre em Educação; Perito Criminal Federal Classe Especial; Doutorando em Ciências da Informação (UFP/Porto/PORTUGAL); Ex-chefe do Setor Técnico Científico da Polícia Federal em Goiás; Professor da Faculdade Estácio de Sá de Goiás (Graduação e Pós-graduação); Professor da Academia Nacional de Polícia, Coordenador das Pós Graduações – Perícia Criminal e Ciências Forenses – Computação Forense e Perícia Digital pelo IPOG.

– INÍCIO DA ENTREVISTA –

MUNDO ESCRITO (ME): Há uma metodologia peculiar já estabelecida para se fazer perícia audiovisual ou cada perito pode usar diferentes procedimentos?

Prof. Walber Pinheiro: Existe uma diversidade de exames que compõem a perícia audiovisual, tais como Verificação de Edição, Comparação de Locutor, Comparação Facial, Fotogrametria, Identificação de fonte, dentre outros. Cada tipo de exame possui sua metodologia própria fundada em bases científicas, mas que não limita o perito a empregar somente as etapas ali previstas.

Por se tratar de uma área de tecnologia, percebemos um grande número de inovações que podem exigir do perito realizar estudos aprofundados e acrescentar etapas ao exame.

ME: Além do registro das falas humanas, a perícia audiovisual analisa também outros conteúdos sonoros? Por exemplo, se um som de explosão pode ter sido o disparo de um tiro ou não?

Prof. Walber Pinheiro: Sim, sempre que um potencial vestígio de um crime estiver presente em um registro de áudio, este deve ser analisado por um perito especialista, independentemente se o áudio provém de pessoas ou de qualquer outra fonte sonora. O exame de reconhecimento de padrão é um exemplo típico onde predominam os registros que não são provenientes do aparelho fonador humano. Como exemplo real desse tipo de exame, podemos citar um caso onde foi necessário distinguir pelo áudio, dentre dezenas de disparos realizados, quais eram de munição letal e quais eram de munição anti-motin. Outro exemplo ocorreu em um caso de acidente aéreo, onde não havia caixa preta com dados da aeronave, tão só a gravação de áudio dos pilotos. Pela análise das alterações de frequência do ruído do motor que eram captados pelos microfones na cabine, foi possível determinar o comportamento do motor durante os momentos do voo que antecederam o acidente.

ME: A perícia audiovisual é uma tarefa multidisciplinar? Quais conhecimentos estão embutidos nessa área?

Prof. Walber Pinheiro: As perícias em registros de áudio e imagem exigem conhecimentos de várias disciplinas. Em diversos casos é necessário incorporar o saber de outras áreas do conhecimento, como nos exames de Comparação Facial, que demandam conhecimento de processamento digital de imagens e de anatomia facial, ou como nos exames fotogramétricos, que demandam conhecimento de geometria projetiva e de metrologia.

ME: Os imitadores de voz humana representam uma ameaça ao trabalho do perito audiovisual de detectar e provar a autoria de voz?

Prof. Walber Pinheiro: Assim como não podemos desconsiderar a existência de sósias em exames de Comparação Facial, não podemos desconsiderar os imitadores de voz humana nos exames de Comparação de Locutor. Os imitadores não são uma ameaça ao exame, mas traz maiores desafios ao perito. Para tanto, o exame possui metodologia própria onde inúmeras características das vozes são avaliadas, como aspectos acústicos e linguísticos.

ME: Quais equipamentos o senhor recomendaria para quem deseja fazer uma gravação de áudio com qualidade para usar como prova?

Prof. Walber Pinheiro: Os equipamentos atuais em regra atendem as principais características técnicas necessárias para uma gravação de qualidade, como uma taxa de amostragem superior a 16khz e codificação em 16 bits. Deve-se evitar realizar a gravação utilizando a opção de detecção de voz, e a utilização de um microfone externo, quando possível, é interessante.

A maior preocupação deve ser com o arranjo que for montado. Deve-se evitar obstáculos entre a fonte sonora e o microfone de forma a não abafar o áudio, por exemplo, evitar que o equipamento gravador esteja dentro de uma bolsa ou mochila. Outro cuidado importante é evitar fontes de ruído próximas, como alocar o microfone próximo a um ventilador ou em um local no corpo onde possa ocorrer fricção, como exemplo, no bolso da calça ou na parte interna de uma jaqueta. O movimento de andar ou o movimento dos braços pode fazer com que a roupa atrite no microfone elevando o ruído no áudio.

ME: Quais equipamentos o senhor recomenda para melhorar áudios com baixa qualidade?

Prof. Walber Pinheiro: O tratamento e melhoria de áudio ocorre por meio de programas computacionais específicos. Assim, além de um computador com uma boa capacidade de processamento é necessário um programa de edição de áudio que ofereça a possibilidade de aplicação de diferentes tipos de filtros.

ME: Qual seria o processo ideal de atestar a legitimidade de um áudio e vídeo?

Prof. Walber Pinheiro: A metodologia do exame de Verificação de Edição preconiza 4 etapas: análise perceptual e contextual, análise de metadados, análises computacionais (quantitativas) e a análise do equipamento gravador. Importante destacar que o exame não busca atestar um registro de áudio ou imagem mas identificar vestígios que apontem a presença de alteração.

Destacamos a importância de se preservar a mídia original integra e o equipamento gravador. Entende-se por mídia original o primeiro suporte a registrar a cena ou o áudio primário. A partir da mídia original e do equipamento gravador, os Peritos são capazes de obter dados muito importantes relacionados com a autenticidade do registro.

ME: O senhor gostaria de falar algo mais sobre o assunto?

Prof. Walber Pinheiro: Cada dia mais os exames em registros de áudio e imagens estão ganhando relevância no cenário forense. O aumento exponencial de smartphones e de sistemas de CFTV tem tornado cada vez mais frequente o registro de atividades ilícitas, transformando os registros de áudio e imagens em importantes vestígios para caracterizar a materialidade e apontar a autoria de um crime. As possiblidades de abordagens desses vestígios são diversas. Como exemplo, pode-se determinar a velocidade de um veículo, se uma imagem foi alterada ou determinar o equipamento gravador responsável por um determinado registro. Atualmente já existem inúmeros exames que utilizam outras tecnologias em conjunto com as técnicas de perícia em imagens para a resolução dos casos, como o uso de Scanners Laser 3D e de drones.

– FIM DA ENTREVISTA –

Esperamos que essa entrevista tenha lhe ajudado de alguma forma. Se você gostou, por favor, comente dizendo o que achou. Sua participação é muito importante para nós! 😉

 

P.S: Cadastre seu email no formulário abaixo para ser avisado sempre que postarmos um novo artigo:

 

Receber atualizações do nosso Blog?

Deixe seu e-mail abaixo:

 

Torne isto mais acessível.