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No artigo de hoje, abordaremos um tema que vai além das técnicas para aprimorar a escrita. Trata-se de algo mais essencial e até mais vital ao processo literário. Além disso, também é infinitamente mais sutil, algo que podemos chamar de o Caminho da Pena.

Contudo, antes de adentrar nesse terreno simbólico, é bom ter em mente o que se convencionou chamar de o Caminho da Espada.

Qualquer trilha pode ser o Caminho da Espada: se você segue o chamado de seu coração para se dedicar a um trabalho, seja ele qual for, e se entrega com todo o seu ser, inevitavelmente torna acessível um aprendizado e uma visão mais ampla do mundo e de si mesmo, que bem podem ser descritos como uma “evolução espiritual”.

 

Obras de referência sobre o Caminho da Espada

 

Miyamoto Musashi, o mais célebre samurai japonês, teve sua vida romanceada por Eiji Yoshikawa, em uma obra magnífica que, por si só, já vale por uma dúzia de cursos sobre a arte de escrever, o livro Musashi.

Inicialmente, ele apresenta uma ideia desconcertante para o olhar ocidental. Vencer os adversários em duelo; ser hábil para cortar e perfurar corpos com a espada; tornar-se um exímio ceifador de vidas: tudo isso pode ser encarado como etapas de um iniciado em sua jornada de evolução espiritual.

Em resumo, é isso o que costuma ser chamado de Caminho da Espada. Essa mesma ideia é delineada com mais nitidez ainda no mangá Vagabond, de Takehiko Inoue, inspirado no livro de Yoshikawa.

O próprio samurai Musashi também escreveu um livro, Gorin No Sho (O Livro dos Cinco Anéis). Em sua obra, o princípio do Caminho da Espada surge como uma filosofia de vida, pois apresenta a noção de que a arte da esgrima é, sobretudo, uma disciplina espiritual.

Outras boas referências para esse rico universo semântico são os filmes de Akira Kurosawa, em especial Ran (adaptação do Rei Lear, de Shakespeare, para o Japão feudal) e Os Sete Samurais.

 

Leitura e escrita: as vias do Caminho da Pena

 

Uma das explicações para o fascínio que essas histórias de samurai continuam exercendo sobre nós, em pleno século XXI, é que os ensinamentos do Caminho da Espada são bem abrangentes e podem ser aplicados a muitas áreas da vida moderna.

O Caminho da Pena, portanto, é aquele que leva a vivenciar, por meio da literatura, uma compreensão mais profunda de si e do mundo. Nesse sentido, uma característica muito própria desse caminhar é ser uma via de mão dupla, pois ele pode ser trilhado em dois sentidos.

A primeira via é a da leitura. Sabe aquele livro que mexeu com suas estruturas e ajudou você a enxergar novos horizontes? Ou aquele personagem apaixonante no qual você se inspirou (consciente ou inconscientemente) para lidar com situações em sua vida? Quando vivenciamos momentos assim, estamos trilhando o Caminho da Pena pela via da leitura.

A outra via é a da escrita. Não segue no sentido oposto ao da leitura, muito pelo contrário. Está mais para uma via superposta ou, então, entrelaçada a outra, por camadas mais profundas. Todo escritor começa como um leitor que se apaixona pela forma de expressão escrita e, desse modo, decide aprender a gerar no mundo, com seus escritos, o mesmo maravilhamento que sentiu ao ler o que outros escreveram.

 

Dê o primeiro passo e continue a percorrer

 

Aprender como se conta uma boa história não é pouca coisa, mas, na perspectiva do Caminho da Pena, representa somente os passos iniciais de uma jornada bem mais longa.

Para o grande samurai, conhecer a técnica da esgrima não era suficiente. Era preciso provar a sua força em inúmeros duelos reais. Percorrer o Caminho da Espada significava estar sempre pronto para matar ou morrer. Nesse ponto, a Espada é radicalmente prática, no sentido de que toda filosofia, toda religião, e até mesmo toda arte, são tentativas de lidar com a questão da morte.

De modo semelhante, o escritor deve estar imbuído do mesmo espírito, se almeja tocar o eterno com suas mãos de mortal. E, assim, mergulhar no mais íntimo de si mesmo, até vislumbrar, no âmago das sombras, algum lampejo intenso da alma do mundo. Então, travar o árduo embate das palavras, para expressar na linguagem dos homens essa ideia universal que brilha lá dentro de seu coração.

Esse é o chamado da literatura em sua conotação mais alta, é assim o Caminho da Pena.

Podemos dizer que as melhores obras são de escritores que aceitaram o seu chamado para essa aventura árdua e transformadora. Então, conte para nós, você já deu o primeiro passo para trilhar esse magnífico caminho?

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