Quem hoje nos dá a honra dessa entrevista exclusiva é o ilustre professor de língua portuguesa, Sr. Ozanir Roberti. Ele dá consultoria à Rede Globo de Televisão, juntamente com o professor Sérgio Nogueira, como revisor da ortografia e das explicações das palavras do Programa Soletrando, do “Caldeirão do Huck”. Já escreveu em torno de 70 livros, sendo o mais conhecido deles o “Manual de Língua Portuguesa”, já na sua quarta edição.

Como sua biografia completa é muito rica, achamos por bem deixá-la disponível logo após a entrevista, de modo que possa ser mais bem aproveitada por você.

A entrevista poderá ajudar tanto aos revisores quanto aos que pretendem contratar o serviço de revisão de textos, conhecendo os critérios apropriados para escolher um profissional qualificado.

INÍCIO DA ENTREVISTA: OZANIR ROBERTI E MUNDO ESCRITO

Mundo Escrito: De vez em quando, um revisor pode se sentir inseguro no momento de fazer/sugerir correções. Seguir as regras impostas pela Gramática Normativa pode parecer sempre a melhor opção, mas… será que é mesmo?

Ozanir Roberti: Com certeza, nem sempre o conhecimento gramatical é o que deve predominar, mas ao revisor cabe conhecer a norma, até porque só isso lhe dará a segurança de que a alternativa a ela ficará melhor.

ME: Como o senhor acha que os professores deveriam revisar os textos de alunos do ensino fundamental e do ensino médio?

Ozanir Roberti: Aí é diferente. A missão do professor de língua é ensinar ao aluno aquele nível do idioma a que ele não teria acesso se não houvesse a escola tradicional. Há outros segmentos culturais que podem se dedicar a criar escritores, a desenvolver artistas.

ME: No mercado de revisão de textos, o senhor acha que a linguagem sutil pode ser uma armadilha para o revisor?

Ozanir Roberti: Sim, pode realmente. Por isso, nos meus cursos de Formação em Revisores, tenho a preocupação de mostrar aos alunos que cada texto é um texto diferenciado pela intenção do autor e pelo leitor a que se dirige.

ME: Dentre os benefícios oriundos da revisão de texto, para o senhor, qual o maior deles?

Ozanir Roberti: Uma boa revisão de textos é essencial à qualidade almejada. Pode melhorar a correção, a objetividade e a clareza da obra em questão. Muitas vezes, o autor do texto consegue melhorá-lo muito depois dos “palpites” do revisor. O mesmo ocorre com as traduções.

ME: O que o revisor deve fazer quando fica ansioso ou muito envolvido com textos mais longos, como os de livros com muitas páginas?

Ozanir Roberti: Preservar-se, afastando-se dele por algum tempo. Só deve retomar o trabalho quando perceber que seu envolvimento não está prejudicando sua função de revisor. Revisor não é autor, nem mesmo um ghostwriter. Ele tem apenas de “revisar” o texto, que nem sempre tem as opiniões dele. 

ME: Em geral, que quantidade de laudas um bom revisor deve revisar por dia?

Ozanir Roberti: Depende da capacidade de trabalho de cada um. Não há uma norma específica para a atividade. Isso é um traço individual, mas não se deve trabalhar exausto. Isso diminui a atenção, podendo atrapalhar a qualidade.

ME: No Direito, são usadas com muita frequência as expressões “o mesmo”, “do mesmo”. O senhor, como professor de revisores, recomenda a substituição dessas expressões, inclusive em textos jurídicos?

Ozanir Roberti: São expressões usadas na linguagem cartorial; então, cabe ao revisor chamar a atenção do autor do texto para o seu uso. Então, em conjunto, podem decidir o que fica melhor para aquele texto, de acordo com a sua finalidade e pensando no tipo de leitor que vai lê-lo.

ME: É necessário que o revisor se especialize numa área (direito, medicina, marketing etc.)?

Ozanir Roberti: Pode ser bom, mas o mercado de trabalho ainda não permite isso. O revisor ainda é um profissional à procura de uma atividade que não é vista como fundamental pela sociedade, principalmente com a explosão dos meios de comunicação digital, em que qualquer um acha que pode escrever o que quer. Os leitores é que começam a ser mais exigentes.

ME: Em que circunstâncias o revisor deve comentar/justificar as suas revisões?

Ozanir Roberti: Pode até não fazê-lo, porém deve estar preparado para isso. Quem dá essa diretriz é o autor. Ele é que pode pedir que o revisor explique alguma mudança no texto. É algo que enriquece o trabalho, desde que o autor compartilhe realmente do conhecimento necessário à melhoria efetiva da obra.

ME: Depois que produz um texto, o senhor conta com o serviço de algum revisor?

Ozanir Roberti: Não. Por isso, sempre, quando os leio mais tarde, encontro algum defeito no que eu escrevi. Surpreendo-me pensando: “Escrevi isso? Poderia ser melhor!”.

ME: Quem tem letramento pode dispensar a revisão alheia (ou parte dela)?

Ozanir Roberti: Temos um conceito muito bonito sobre letramento, que, de modo algum, condiz com a realidade. Quase todos os profissionais, inclusive de nível superior, usam muito mal a nossa língua, na fala, imagine na escrita… É raro alguém que escreva sem falhas ou vícios condenáveis.

FIM DA ENTREVISTA: OZANIR ROBERTI E MUNDO ESCRITO

Biografia do entrevistado: Além do que já falamos na apresentação da entrevista, Ozanir Roberti, desde 1986, é membro titular da Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro, na cadeira do famoso gramático Carlos de Laet, tendo sucedido a outro gramático, Candido Jucá.

É membro titular também da Academia Teresopolitana de Letras, desde 1992, na cadeira número 3, cujo patrono é o poeta Alberto de Oliveira.

Além de membro titular das duas academias já citadas, Ozanir Roberti é membro titular também da Academia Brasileira de Filologia (Abrafil).

Por quase 30 anos, foi professor titular de Língua Portuguesa, coordenador da disciplina e da Pós-Graduação em Língua Portuguesa da Universidade Veiga de Almeida até o final de 2016.

Ele ministra o Curso de Formação em Revisores de Texto, um dos mais indicados do mercado.

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