Trazemos hoje a terceira entrevista da série “Dicas de escritores famosos para quem quer ser escritor”. A entrevistada foi Wlange Keindé.

Wlange Keindé nasceu no Rio de Janeiro em 1997. É escritora, poetisa, graduanda em Ciências Sociais na UFF e youtuber no canal Ficçomos, um dos maiores canais brasileiros com foco em escrita e storytelling. Seus contos e poemas, que já foram finalistas em 17 concursos literários, estão disponíveis na plataforma online Wattpad, assim como seu primeiro romance, Ao Nosso Herói, um Tiro no Peito.

Wlange tem apenas 21 anos de idade, mas, de acordo com a biografia acima, e conforme veremos na entrevista, já tem muita experiência como escritora para compartilhar. Vamos à entrevista?

– INÍCIO DA ENTREVISTA –

Mundo Escrito (ME): Para você, de onde vem a criatividade?

Wlange Keindé: A criatividade é um potencial de todo ser humano. A questão é que, em certos momentos, acabamos nos bloqueando, seja por estarmos muito estressados com os problemas da vida ou por sermos tão bombardeados por clichês todos os dias que praticamente esquecemos como criar algo nosso. Falando por mim, acho que meus momentos mais criativos são inocentes e pessoais. As melhores histórias que já criei têm a ver comigo, mesmo que indiretamente. Para mim, a criatividade vem de dentro, por mais que quase sempre seja estimulada por algo externo como um livro que leio, um filme que vejo ou uma conversa que escuto num banheiro público.

ME:  A carreira de escritor é uma profissão como outra qualquer, ou seja, é um ofício que pode ser aprendido, ou essa atividade é só para quem já tem dons artísticos?

Wlange Keindé: Não acredito nessa coisa de dom. Algumas pessoas podem ter mais facilidade que outras para aprender algo, mas, do meu ponto de vista, é sempre um aprendizado. Sem falar que se você é estimulado desde cedo a ler, escrever, observar o mundo e as pessoas, contar e criar, é muito fácil achar que isso é um dom, quando na verdade é capital simbólico. Enfim, como em qualquer profissão, acho que se a pessoa se interessa pela escrita e quer seguir nessa área, ela pode estudar até se tornar boa.

ME: Em seu dia a dia estão presentes pelo menos três tipos de escrita: textos acadêmicos, roteiros dos seus vídeos e os projetos literários. Ocorre algum tipo de confusão no processo da produção textual? Como você procede?

Wlange Keindé: Esses três tipos de texto me exigem formas diferentes de escrever, mas consigo me adaptar tranquilamente. Até acho que é bom para mim ter que alternar entre estilos diferentes, porque é como um treinamento para eu ter mais controle sobre minha escrita, pensando no objetivo do texto. Assim, posso me tornar uma escritora mais completa.

ME: Quando você está escrevendo, fica conectada ou offline?

Wlange Keindé: Sempre conectada (mas no modo silencioso), porque a internet me ajuda enquanto escrevo. Uso sites de sinônimos, dicionários, pesquiso termos arquitetônicos ou de moda, fotos de lugares, pessoas, cortes de cabelo etc. para me ajudar com as descrições, entre outras coisas.

ME: Como você quantifica a sua dedicação à escrita literária? Tempo, número de palavras ou o quê?

Wlange Keindé: Geralmente por capítulos ou cenas. Se eu gastar 1 hora para escrever um capítulo no sábado e 10 horas para escrever o próximo capítulo no domingo, vou ficar igualmente feliz por ter conseguido escrever um capítulo em um dia.

ME: Como consegue conciliar o tempo para a produção dos seus textos com as atividades sociais? Sobra tempo para as atividades físicas?

Wlange Keindé: Tenho dificuldade para conciliar. Muitas vezes deixo a escrita de lado para ver um filme com os amigos e deixo para escrever quando eu deveria estar fazendo uma leitura para a faculdade, por exemplo. Faço pouquíssimas atividades físicas (às vezes nem é por falta de tempo, mas por preguiça mesmo).

ME: Quando está escrevendo, você utiliza alguma técnica de interiorização? Se sim, poderia compartilhá-la?

Wlange Keindé: Música me ajuda muito nisso. Quando vou começar alguma história, seleciono músicas que tenham a ver com o enredo e com os personagens. Então, toda vez que estou meio dispersa ao sentar para escrever, eu ouço essas músicas para me concentrar e entrar no clima da história.

ME: Você conta com leitores beta? Se sim, quais critérios são levados em conta para saber se um leitor pode (ou não) ajudar?

Wlange Keindé: Costumo pedir para meus irmãos fazerem esse papel. Eles são sinceros e geralmente têm uma vontade genuína de ler e opinar sobre meus textos. Minha irmã mais nova é tão sincera que já me fez rasgar um conto e jogar no lixo. Eu gosto disso. Um leitor beta que tenha medo de te machucar não vai socar na sua cara uma verdade ruim, sendo que às vezes você precisa justamente desse soco. Mas também é importante lembrar que a crítica do beta nunca é absoluta e nem sempre o fato de alguém odiar seu texto quer dizer que seu texto seja ruim.

ME: Qual livro mais lhe ajudou como escritora? Por quê?

Wlange Keindé: A Jornada do Escritor, do Christopher Vogler. É um livro polêmico entre os escritores, porque o Vogler é bem normativo e universalista, mas foi um divisor de águas na minha vida. Foi o primeiro livro que li com o objetivo de melhorar minhas habilidades na escrita e criação de histórias, e passei a ter um novo olhar sobre isso. Inclusive foi depois de ler A Jornada do Escritor que eu criei o Ficçomos, tanto que os dois primeiros vídeos do canal são baseados nesse livro.

ME: Qual a sua missão como escritora?

Wlange Keindé: Poder oferecer uma experiência emocional intensa aos leitores. Quero fazer as pessoas sentirem o que eu senti lendo Dom Casmurro, assistindo A.I. – Inteligência Artificial ou jogando Life is Strange. Foram sentimentos diferentes, mas todos fortes, tocantes, e eu quero conseguir criar isso.

ME: Você acredita que teria conseguido o sucesso que já alcançou se não fosse o seu canal no Youtube?

Wlange Keindé: Com certeza não. A imensa maioria dos meus leitores vem do YouTube e muitas oportunidades que tive (e tenho cada vez mais) para expressar minhas ideias e divulgar meu trabalho não seriam possíveis sem o Ficçomos. Além disso, o canal me estimula a estudar, a ler, a melhorar como escritora.

ME: Em seu canal (Ficçomos) há diversas dicas muito interessantes para quem escreve romances, contos, crônicas etc. Fazendo uma breve retrospectiva dessas dicas, poderia deixar aqui uma que considere fundamental para quem quer seguir carreira como escritor profissional?

Wlange Keindé: Pode parecer estranho, mas eu diria que a principal dica é: todo escritor pode fazer o que quiser em suas obras. É comum que escritores iniciantes (inclusive eu, quando comecei) peguem dicas como “mostre, não conte” ou “use poucos adjetivos” e tomem como regras invioláveis. Muita gente me pergunta se pode fazer X ou Y nos livros que estão escrevendo, como se existisse um jeito certo e um errado de escrever. Existem caminhos que, se você seguir na sua escrita, vão te levar a lugares específicos, mas isso não quer dizer que outros caminhos sejam errados. Talvez os outros caminhos te levem a lugares tão bons ou até melhores.

– FIM DA ENTREVISTA –

E então, você gostou da entrevista? Nós gostamos muito. Não é à toa que o seu canal (Ficçomos) já conta com mais de 47 mil inscritos!

E as duas primeiras entrevistas dessa série, você já viu? Se ainda não, confira agora: a primeira foi com o Fabio Shiva e a segunda com a Luisa Geisler. Ambos os escritores também contribuíram muito compartilhando generosamente outras grandes dicas que muito ajudaram em seus sucessos.

Fique à vontade para comentar abaixo dizendo o que achou. Se desejar fazer perguntas, pode deixá-las aí também. Talvez a resposta à sua pergunta já venha já na próxima entrevista!

LINKS da Wlange:

youtube.com/ficcomos

wattpad.com/wlangekeinde

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