Desde a postagem do artigo Como superar a dificuldade de escrever, tenho recebido comentários de leitores relatando as suas dificuldades particulares. Neste novo artigo, tento responder a uma das perguntas mais frequentes: “Como organizo as minhas ideias antes de escrever?”.

Escrever é um desafio inevitável para todos que lidam com textos. É uma questão de “acertar o ponto” entre o conhecimento e a didática.

Como organizo minhas ideias antes de escrever

Quando a gente consegue dominar um assunto, ou pelo menos captar o cerne da questão, é hora de se pensar na didática.

O problema surge quando a gente não preenche as lacunas da comunicação. Pense numa situação em que um bom pedreiro, que não escreve bem, resolve ensinar, por escrito, como se constrói uma parede.

Se ele deixa de informar que a parede deve estar no prumo e no nível, ter a massa adequada e outras particularidades, ninguém vai conseguir fazer uma parede tão bem como ele, mesmo tendo sido ele o professor.

Já ao vivo, ou num vídeo, se uma pessoa o estivesse acompanhando de perto, mesmo se o pedreiro deixasse de descrever alguma etapa que estivesse executando, seria possível, ao assistente, compreendê-la e até realizá-la corretamente.

O objetivo da escrita é transmitir informações

Cada área do conhecimento possui inúmeros elementos, conceitos, linguagens e situações próprias. O advogado, por exemplo, no exercício de suas atividades, deve inteirar-se suficientemente do processo de cada cliente seu, para poder redigir os documentos com as informações legais e apropriadas para defendê-los.

Cada item de um processo judicial tem sua importância. E a omissão de um deles, por parte do advogado, pode acarretar em prejuízos – leves ou graves – para seus clientes.

Felizmente, não são todos os textos que põem em risco a liberdade das pessoas! Mas, certamente, qualquer pessoa que escreve corre o risco de não preencher as lacunas a que se propõem.

Escrever bem é o resultado de um intenso exercício interno e externo. Ou seja, antes de escrito, um assunto precisa ser ruminado, esmiuçado, posto a prova. Como? De diversas formas: pesquisando; combatendo a ansiedade de terminá-lo antes da hora; pensando sobre ele enquanto se está escrevendo (e antes de iniciá-lo); experimentando outras abordagens mais atraentes; enfim, um bom texto nasce sempre que o escritor digere o assunto suficientemente e, depois, consegue enxergá-lo a partir de várias outras perspectivas.

Hoje a tecnologia pode facilitar muita coisa. Eu mesmo adoro aproveitá-la. Vou dar um exemplo muito simples – o gravador do meu celular. Depois de pesquisar livros, ebooks, vídeos, podcasts, artigos etc., para saber se já posso escrever, ligo o gravador do meu celular e começo a falar sobre o assunto, como se eu estivesse dando uma aula. Ao final, quando escuto a minha gravação, percebo as lacunas que ainda precisam ser preenchidas.

E é sempre mais fácil encontrar respostas para um erro do que notar o próprio erro de uma situação. Dessa forma, coloco-me na visão (audição) do receptor – e não somente do transmissor – da informação que eu desejo passar.

Ao final de cada informação bem passada, uma lacuna é preenchida na mente de cada leitor.

Mais importante do que preocupar-se com a gramática, é se preocupar com a didática do seu texto. Porque a gramática pode ser vista depois, até por um profissional. Já a informação que você deseja passar, talvez só possa ser dada por você – e mais ninguém.

Recapitulando os pontos importantes para organizar as ideias antes de escrever

1 – Escrever bem é um eterno desafio. Mesmo quando se trata de um tema conhecido. É então quando se faz necessária a aplicação da boa didática;

2 – Cada informação representa o preenchimento de uma lacuna na mente do seu leitor. Que lacuna você pretende ajudá-lo a preencher?

3 – Um bom profissional nem sempre consegue ensinar aquilo que ele mais sabe fazer, porque, para isso, é necessário desenvolver a habilidade de textualizar esse ofício.

4 – O bom escritor deve se antecipar às possíveis dúvidas de seus leitores.

Com este artigo, espero ter conseguido responder, pelo menos em parte, à questão que acompanha a maioria dos escritores: “Como organizo as minhas ideias antes de escrever?

 

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