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Dia desses, nesta coluna, escrevi um texto que segue um caminho parecido com o que você começa a ler agora. Naquela conversa, mostrava o passo a passo para se escrever um livro. Aqui, procuro motivá-lo a se entregar à missão ensinada. Ela é tão desafiante quanto cheia das melhores promessas. Vale cada palavra.

Já trombei com gente que afirma, com todas as letras, que escrever um livro é tarefa quase impossível. Diante dos seus olhos, desfila um horizonte sombrio, mas desnecessário. É que ele ameaça qualquer chance de contato com a experiência feliz de criar, escrever, publicar, ser conhecido e contratado. Por que não?

Pena eu não poder fazer muito mais do que insistir em que essa dificuldade não precisa dispor de tanto espaço. Ela não merece nada disso. Minha trajetória já me levou para os braços de experiências felizes.

No entanto, viver tudo isso depende de saber fazer com que as coisas aconteçam, na prática. Existe um passo a passo. Ele pode ser aprendido, e sempre dá resultado.

Porém, e sempre há um “porém”, porque há muito trabalho envolvido em tudo, nada disso vai acontecer se você não tiver atitude. Isso significa querer fazer. Transformar em resultado tudo o que você aprender sobre o assunto.

letter writerO escritor é uma pessoa que atua a serviço da sua comunidade. Isso, além de tratar-se de alguém que busca a satisfação pessoal, enquanto desenvolve sua arte. As coisas se misturam, portanto. Ele sente prazer ao mesmo tempo em que desempenha uma missão. Trabalha para deixar um legado, colaborar com o desenvolvimento da sociedade.

É assim que contribui com o seu entorno. Nesse sentido, age como o personagem de A jornada do herói, de Joseph Campbell. O herói se coloca a serviço das pessoas depois de sair da zona de conforto, percorrer uma longa jornada, aprender muito, transformar-se e se sentir preparado para dividir sua longa experiência com a comunidade, de onde partiu, quando recebeu o chamado para entrar no mundo da aventura.

No entanto, essa possibilidade pode ser abortada. Quem assume essa postura, revela um comportamento de frustração antecipada. Não raro, ele tende a levar à desistência antes mesmo de iniciar qualquer esforço no sentido de produzir algo que possa ser chamado de livro, ainda que numa primeira versão, tosca, pedindo revisões e revisões.

Esse comportamento, que insiste em afirmar a impossibilidade de escrever, merece ser questionado. No mínimo, porque no mesmo instante em que se afirma que algo é impossível, o seu subconsciente começa a trabalhar para confirmar isso. Afinal, você não pode, depois de alardear que jamais obterá sucesso numa empreitada, desmentir a própria afirmação e aparecer como alguém que não consegue nem mesmo sustentar suas declarações pessoais. Não ficaria bem para você. Assim, o cérebro provoca o fracasso necessário para evitar a incoerência entre a sua promessa e o resultado apresentado. Evitar o mico.

Como se pode ver, sem o mínimo de ação no sentido de contornar essa situação, reverter esse quadro que insiste em anular o potencial até mesmo de quem poderia ir muito longe, tudo vai terminar num fracasso retumbante. E isso será lamentável.

Existe uma saída para esse desafio. E, novamente, ela requer atitude. É preciso saber onde exatamente você pretende chegar. Definir por que trabalhar a fim de mudar essa situação. Um escritor não pode sucumbir em troca de nada, isso é claro.

De que meios você vai precisar para viver a experiência de vencer este e outros obstáculos, aterrissar em uma editora e depois frequentar as prateleiras das livrarias? Quais são os recursos materiais exigidos nessa missão? Livros e revistas. Um computador. Internet. Um espaço para trabalhar. O que mais?

E quanto aos recursos humanos? Um consultor, talvez? Alguém que assuma o papel de mentor, fazendo o devido acompanhamento, para que etapas não sejam queimadas? Isso pode fazer sentido. Às vezes, é indispensável contar com alguém que revele pequenos segredos, mostre o caminho das pedras, jogue luz sobre a estrada que pode levar para bem longe em termos de sucesso. Tenho feito isso via Skype.

Pode ser o caso, inclusive, da contratação de serviços especializados na execução de uma tarefa para a qual o escritor não tem, necessariamente, competência, como a revisão textual. Digo isso porque nem todos conhecem profundamente a disciplina Língua Portuguesa. Eu, por exemplo. Como confeiteiro e, direto da cozinha, você precisa encantar pelo sabor e aparência dos doces que faz. Mas não tem obrigação de saber manusear microscópios complexos ou “desmontar” e descrever uma molécula de açúcar ou farinha, o que é feito no laboratório.   

Para concluir, uma pergunta: você pretende entrar para o mundo dos escritores? Trabalhe sério para isso. Conheça muito o assunto. Desenvolva todas as habilidades indispensáveis. Tenha muita vontade de fazer e, acima de tudo, atingir os melhores resultados. Pense em tudo o que pode oferecer à comunidade, nos seus diferentes níveis, sempre a partir do senso crítico. O objetivo é não se tornar um escritor sem consistência, incapaz de questionar e de oferecer caminhos possíveis para a evolução da sociedade. Depois de tudo, defina onde, exatamente, pretende chegar no final das contas e observe os resultados. Que história deseja contar para os que virão depois? Se tudo isso acontecer, você será vitorioso.

A propósito: quando começará a escrever o seu livro?

RUBENS MARCHIONI é palestrante, produtor de conteúdo, blogueiro e escritor. Eleito Professor do Ano no curso de pós-graduação em Propaganda da Faap. Autor dos livros Criatividade e redação, A conquista e Escrita criativa. Da ideia ao texto. https://rumarchioni.wixsite.com/segundaopcao