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Regência nominal é o terceiro episódio da série “Os erros mais frequentes na revisão de textos”.

Na segunda parte da série, ao tratarmos do tema Regência Verbal, vimos que os verbos podem ser considerados os termos regentes, enquanto seus complementos são definidos como os termos regidos.

No entanto, você sabia que ser um termo regente de uma oração não é uma exclusividade dos verbos? Nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) também exercem a mesma relação com os seus complementos, numa ligação em que o nome é o termo determinante (ou regente) e em que o complemento é o termo determinado, subordinado (ou regido).

O encadeamento entre o nome e o seu complemento ocorre, em geral, por meio de alguma preposição. Vale lembrar que, muitas das vezes, se algum desses nomes regentes derivar de um verbo, ele tem grandes chances de ser introduzido pela mesma preposição que anteceder o verbo correspondente, do qual é cognato.

A Regência Nominal, assim, permite-nos tornar as orações mais coesas, ajudando a levar clareza a qualquer texto. A fim de nos alinharmos com a Norma Padrão, precisamos ater-nos ao uso prescritivo de nossa Língua — que, embora seja um organismo vivo e, por isso mesmo, em constante mudança, tem também suas fundamentações próprias, imprescindíveis, que garantem uma certa padronização basilar tanto da linguagem oral quanto da escrita, não permitindo que o sentido da mensagem a ser transmitida e compreendida se perca; ou, ao menos, diminuindo bastante as chances de que isso ocorra.

Abaixo, listaremos, em ordem alfabética, as regências nominais corretas que mais vezes aparecem escritas de modo incorreto nos textos corrigidos pela Equipe de Revisão da Mundo Escrito.

 

Adaptado:

  • Adaptado a:

Exemplo: Guilherme está adaptado à (“a” preposição + “a” artigo definido feminino singular) escola nova.

  • Adaptado de:

Exemplo: O filme foi adaptado do (“de” preposição + “o” artigo definido masculino singular) livro francês “Madame Bovary”.

Erro mais comum:

Adaptado com:

Exemplo: Estou adaptado com o novo estilo de vida.

 

Adequado:

  • Adequado a:

Exemplo: Isso não é adequado à (“a” preposição + “a” artigo definido feminino singular) sua idade.

           

Erro mais comum:     

Adequado com:

Exemplo: Isso não é adequado com a sua idade.

 

Apologia:

  • Apologia de:

Exemplo: O rapaz foi preso por fazer apologias das (“de” preposição + “as” artigo definido feminino plural) drogas.

Erro mais comum:

Apologia a:

Exemplo: O rapaz foi preso por fazer apologia às drogas.

 

Certeza:

  • Certeza de:

Exemplo: Tenho certeza disso (“de” preposição + “isso” pronome demonstrativo invariável).

  • Certeza em:

Exemplo: Júlia tinha certeza no (“em” preposição + “o” artigo definido masculino singular) amor.

  • Certeza sobre:

Exemplo: O filósofo tem certezas sobre a vida.

Erro mais comum:

Certeza que:

Exemplo: Nós temos certeza que seu amigo não esteve aqui hoje.

OBS: Ainda que seja comum na Norma Culta — entre os grupos de pessoas mais escolarizadas —, “certeza que” não é a regência que a Norma Padrão prescreve. Segundo a Norma Padrão, o correto é “certeza de que”. A primeira regência é aceita apenas por alguns gramáticos, e não por todos. O mesmo vale para “certo que”, cuja forma padrão é “certo de que”.

 

Compatível:

  • Compatível com:

Exemplo: O sangue era compatível com o da irmã.

Erro mais comum:

Compatível a:

Exemplo: O sangue era compatível ao da irmã.

 

Condizente:

  • Condizente com:

Exemplo: Condizente com o que foi dito no regimento, atrasos não serão tolerados.

Erro mais comum:

Condizente a:

Exemplo: Condizente ao que foi dito no regimento, atrasos não serão tolerados.

 

Convicto:

  • Convicto de:

Exemplo: Estou convicto de que a verdade é uma só.

Erros mais comuns:

Convicto que:

Exemplo: Estou convicto que a verdade é uma só.

Convicto sobre:

Exemplo: Tu estás convicto sobre a inocência do rapaz?

 

Desconfiado:

  • Desconfiado de:

Exemplo: Eles estavam desconfiados dos (“de” preposição + “os” artigo definido masculino plural) suspeitos.

Exemplo: Estás desconfiado de que ele mente?

Erros mais comuns:

Desconfiado sobre:

Exemplo: Nós estávamos desconfiados sobre o significado daquilo.

Desconfiado que:

Exemplo: Estás desconfiado que ele mente?

 

Disposto:

  • Disposto a:

Exemplo: Disposto a esquecer o passado, fugiu.

Erro mais comum:

Disposto em:

Exemplo: Disposto em esquecer o passado, fugiu.

 

Impressão:

  • Impressão de:

Exemplo: Tenho a impressão de que você esteja equivocado.

Erros mais comuns:

Impressão que:

Exemplo: Tenho a impressão que você esteja equivocado.

Impressão sobre:

Exemplo: Minha impressão sobre o assunto é aquela.

 

Junto:

  • Junto a:

Exemplo: Miguel apertava o retrato de Ana junto ao (“a” preposição + “o” artigo definido masculino singular) peito.

  • Junto de:

Exemplo: Junto de ti, tudo posso.

Erro mais comum:

Junto com:

Exemplo: Andei junto com você até o ponto de ônibus.

 

Medo:

  • Medo de:

Exemplo: Não tenho medo da morte.

  • Medo de que:

Exemplo: Ela tinha medo de que o cachorro fugisse se pulasse o muro.

Erro mais comum:

Medo que:

Exemplo: Ela tinha medo que o cachorro fugisse se pulasse o muro.

 

Obediente:

  • Obediente a:

Exemplo: Os netinhos foram obedientes aos (“a” preposição + “os” artigo definido masculino plural) seus avós.

Erro mais comum:

Obediente com:

Exemplo: Os netinhos foram obedientes com os seus avós.

 

Paralelamente:

  • Paralelamente a:

Exemplo: Paralelamente ao (“a” preposição + “o” artigo definido masculino singular) tema, trataremos também de outras questões sintáticas.

Erro mais comum:

Paralelamente com:

Exemplo: Paralelamente com o tema, trataremos também de outras questões sintáticas.

 

Reinserido:

  • Reinserido em:

Exemplo: A jovem foi reinserida no (“em” preposição + “o” artigo definido masculino singular) grupo.

Erro mais comum:

Reinserido a:

Exemplo: A jovem foi reinserida ao grupo.

 

Urgência:

  • Urgência de:

Exemplo: Tinha urgência de que o assunto fosse logo resolvido.

  • Urgência para:

Exemplo: O regime de urgência para o Projeto de Lei mencionado está de acordo com o que diz a Constituição.

Erro mais comum:

Urgência que:

Exemplo: Tinha urgência que o assunto fosse logo resolvido.

Concluímos, como o fizemos no artigo de Regência Verbal, que Regência Nominal também é um assunto praticamente inesgotável, pois todos os nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) possuem suas regências próprias (e, conforme vimos, às vezes possuem mais de uma regência).

É preciso ter sempre atenção para que não reproduzamos as regências incorretas, com as quais estamos acostumados, em nosso dia a dia, pela força do hábito.

Tal como a Regência Verbal, ter domínio sobre a Regência Nominal é uma importante ferramenta para que você, enquanto falante e/ou escritor, leve mais coesão aos seus discursos e/ou textos.

Além disso, saber as normas prescritivas ligadas aos assuntos de Regência Nominal abre-lhe portas nos mais variados espaços sociais, inclusive naqueles mais conservadores, como, por exemplo, o meio acadêmico, onde a Norma Padrão é priorizada e propagada.

Com este artigo, esperamos ter contribuído para a sua compreensão do assunto aqui tratado. E estamos à disposição, caso você tenha alguma dúvida sobre Regência Nominal. Para perguntar, utilize o campo de comentário.